Espírita.net.br Espírito: Irmão X

Autor Tópico: Espírito: Irmão X  (Lida 1886 vezes)

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Espírito: Irmão X
« Online: Agosto 19, 2013, 00:54:49 am »
      Meus irmãos em Cristo eu preciso compartilhar a luz deste ensinamento com vocês:

                                     Simeão e o menino

      Dizem que Simeão, o velho Simeão, homem justo e temente a Deus, mencionado
no Evangelho de Lucas, após saudar Jesus criança, no templo de Jerusalém,
conservou-o nos braços acolhedores de velho, a distância de José e Maria, e dirigiu-lhe
 a palavra, com discreta emoção:

      -Celeste Menino-perguntou o patriarca-, por que preferiste a palha humilde da
manjedoura? Já que vens representar os interesses do Eterno Senhor na Terra, como
não vestiste a púrpura imperial? como não nascestes ao lado de Augusto, o divino,
para defender o flagelado povo de Israel? Longe dos senhores romanos, como
advogarás a causa dos humildes e dos justos? Por que não vieste ao pé daqueles que
vestem a toga dos magistrados? Então, poderias ombrear com os patrícios ilustres,
movimentar-te-ias entre legionários e tribunos, gladiadores e pretorianos, atendendo-
nos á libertação... Por que não chegaste, como Moisés, valendo-se do prestígio da casa
do faraó? Quem te preparará, Embaixador do Eterno, para o ministério santo? que será
de ti, sem lugar no Sinédrio?Samuel mobilizou a força contra os filisteus, preservando-
nos a superioridade; Saul guerreou até a morte, por manter-nos a dominação; Davi
estimava o fausto do poder; Salomão, prestigiado por casamento de significação política,
viveu para administrar os bens enormes que lhe cabiam no mundo... Mas... tu? não te
ligaste aos príncipes, nem aos juízes, nem aos sacerdotes... Não encontrarias outro lugar,
além do estábulo singelo?!...
     
      Jesus menino escutou-o, mostrou-lhe sublime sorriso, mas o ancião, tomado de
angústia, contemplou-o, mais detidamente, e continuou:

      -Onde representarás os interesses do Supremo Senhor? sentar-te-as entre os
poderosos? escreverás novos livros da sabedoria? improvisarás discursos que obscureçam
os grandes oradores de Atenas e Roma? amontoarás dinheiro suficiente para redimir os que
sofrem? ergueras novo templo de pedra, onde o rico e o pobre aprendam a ser filhos de
Deus? ordenarás a execução da lei, decretando medidas que obriguem a transformação
imediata de Israel?

      Depois de longo intervalo, indagou em lágrimas:
      -Dize-me, ó divina criança, onde representarás os interesses de nosso Supremo Pai?

      O menino tenro ergueu, então, a pequenina destra e bateu, muitas vezes, naquele
peito envelhecido que se inclinava já para o sepulcro...

      Nesse instante, aproximou-se Maria e o recolheu nos braços maternos. Somente após
a morte do corpo, Simeão veio a saber que o Menino Celeste não o deixara sem resposta.

      O Infante Sublime, no gesto silencioso, quisera dizer que não vinha representar os
interesses do Céu nas organizações respeitáveis mas efêmeras da Terra. Vinha da casa do
Pai justamente para representa-lo no coração dos homens

      Chico Xavier pelo espírito Irmão X

 

      Meus irmãos em Cristo é ai que devemos representar o Espiritismo em nosso coração
      Muita paz Muito amor em nossa mente em nosso coração



Que Deus, Jesus e o Espirito Santo nos abençoe e ilumine.








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compartilhar a vivencia com o mundo espiritual. Estudo voltado para as obras
Kardecista, Jesus Cristo, Chico Xavier e outros autores do espiritismo.
« Última modificação: Setembro 05, 2013, 23:53:25 pm por Espirita.net.br »


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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #1 Online: Agosto 19, 2013, 00:56:53 am »
  Candidato intelectual

   Conta-se que Jesus, depois de infrutíferos entendimentos com doutores da Lei, em Jerusalém, acerca dos serviços da Boa Nova, foi procurado por um candidato ao novo Reino, que se caracterizava pela profunda capacidade intelectual.
   Recebeu-o o Mestre, cordialmente, e, em seguida as interpelações do futuro aprendiz, passou a explicar os objetivos do futuro empreendimento. O Evangelho seria a luz das nações e consolidar-se-ia a custa da renuncia e do devotamento dos discípulos. Ensinaria aos homens a retribuição do mal com o bem, o perdão infinito com a infinita esperança. A Paternidade Celeste resplandeceria para todos. Judeus e gentios converter-se-iam em irmãos, filhos do mesmo Pai.
   O candidato inteligente, fixando no Senhor os olhos arguciosos, indagou:
   -A que escola filosófica obedeceremos?
   -As escolas do Céu-respondeu, complacente, o Divino Amigo.
   E outras perguntas choveram, improvisadas.
   -Quem nos presidirá a organização?
   -Nosso Pai Celestial.
   -Em que base aceitaremos a dominação política dos romanos?
   -Nas do respeito e do auxílio mútuo.
   -Na hipótese de sermos perseguidos pelo Sinédrio em nossas atividades, como proceder?
   -Deculparemos a ignorância, quantas vezes for preciso.
   -Qual o direito que competirá aos adeptos da Revelação Nova?
   -O direito de servir sem exigências.
   O rapaz arregalou os olhos aflitos e prosseguiu indagando:
   -Em que consistirá, desse modo, o salário do discípulo?
   -Na alegria de praticar a bondade.
   -Estaremos arregimentados num grande partido?
   -Seremos, em todos os lugares, uma assembléia de trabalhadores atentos a vontade divina.
   -O programa?
   -Permanecerá nos ensinamentos novos de amor, trabalho, esperança, concórdia e perdão.
   -Onde a voz imediata de comando?
   -Na consciência.
   -E os cofres mantenedores do movimento?
   Situar-se-ão em nossa capacidade de produzir o bem.
   -Com quem contaremos de imediato?
   -Acima de tudo com o Pai e, na estrada comum, com as nossas própias forças.
   -Quem reterá a melhor posição no ministério?
   -Aquele que mais servir.
   O candidato coçou a cabeça, francamente desorientado, e continuou, finda a pausa:
   -Que objetivo fundamental será o nosso?
   Respondeu Jesus sem se irritar:
   -O mundo regenerado,enobrecido e feliz.
   -Quanto tempo gastaremos?
   -O tempo necessário.
   -De quantos companheiros seguros dispomos para início da obra?
   -Dos que puderem compreender-nos e quiserem ajudar-nos.
   -Mas não teremos recursos de constranger os seguidores a colaboração ativa?
   -No Reino Divino não há violência.
   -Quantos filósofos, sacerdotes e políticos nos acompanharão?
   -Em nosso apostolado, a condição transitória não interessa e a qualidade permanece acima do número.
   -A missão abrangerá quantos países?
   -Todas as nações.
   -Fará diferença entre senhores e escravos?
   -Todos os homens são filhos de Deus.
   -Em que sítio se levantam as construções de começo? Aqui em Jerusalém?
   -No coração dos aprendizes.
   -Os livros de apontamento estão prontos?
   -Sim.
   -Quais são?
   -Nossas vidas...
   O talentoso adventício continuou a indagar, mas Jesus silenciou, sorridente e calmo.
   Após longa série de interrogativas sem respostas, o afoito rapaz inquiriu, ansioso:
   -Senhor, por que não esclareces?
   O Cristo afagou-lhe os ombros inquietos e afirmou:
   -Busca-me quando estiveres disposto a cooperar.
   E, assim dizendo, abandonou Jerusalém na direção da Galiléia, onde procurou os pescadores rústicos e humildes que,   
realmente, nada sabiam da cultura grega ou do Direito romano, mantendo-se, contudo, perfeitamente prontos a trabalhar com alegria e a servir por amor, sem perguntar.

   Autor: Chico Xavier pelo espirito Irmão X.

   
   Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo, muita paz muita luz.
   Que Deus, Jesus, Maria e o Espirito Santo nos abençoe e ilumine.








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« Última modificação: Agosto 19, 2013, 01:04:55 am por Espirita.net »
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #2 Online: Agosto 19, 2013, 00:58:15 am »
A divina visão

 Muitos anos orara certa, devota implorando uma visão do Senhor.

 Mortificava-se. Aflitiva penitências alquebraram-lhe o corpo e a alma.
 Exercitava não somente rigorosos jejuns. Confiava-se a difícil
adestramento espiritual e entesourara no íntimo preciosas virtudes cristãs.
 Em verdade, a adoração impelira-a ao afastamento do mundo. Vivia
segregada, quase sozinha. Mas a humildade pura lhe constituía cristalina
fonte de piedade. A oração convertera-se-lhe na vida em luz acesa.
Renunciara as posses humanas. Mal se alimentava. Da janela ampla do
seu alto aposento, convertido em genuflexório, fitava a amplidão azul, entre
preces e evocações. Muitas vezes notava que largo rumor de vozes vinha de
baixo, da via pública. Não se detinha, porém, tricas dos homens. Aprazia-lhe
cultivar a fé sem mácula, faminta de integração com o Divino Amor.

 Em muitas ocasiões, olhos lavados em lágrimas, inquiria, súplice, ao Alto:
 -Mestre, quando virás?

 Findo o colóquio sublime, voltava aos afazeres domésticos. Sabia consagrar-se
ao bem das pessoas que lhe eram queridas. Carinhosamente distribuía a água e
o pão à mesa. Em seguida, entregara-se a edificante leitura de paginas seráficas.
 Mentalizava o exemplo dos santos e pedia-lhes força para conduzir a própria alma
ao Divino Amigo.

 Milhares de dias alongaram-lhe a expectação.
 Rugas enormes marcavam-lhe, agora, o rosto. A cabeleira, dantes basta negra,
começava a encanecer.

 De olhos pousados no firmamento, meditava sempre, aguardando a visita celestial.

 Certa manhã ensolarada, sopitando a emoção, viu que um ponto luminoso se
formara no Espaço, crescendo... crescendo... até que se transformou na excelsa
figura do Benfeitor Eterno.

 O Inesquecível Amado como que lhe vinha ao encontro.

 Que preciosa mercê lhe faria o Salvador? Arrebatá-la-ia ao paraíso? Enriquecê-la-ia
com o milagre de santas revelações?

 Extática, balbuciando comovedora súplica, reparou, no entanto, que o Mestre passou
junto dela, como se lhe não percebesse a presença. Entre o desapontamento e a
admiração, viu que Jesus parara mais adiante, na intimidade com os pedestres distraídos.

 Incontinente, contendo a custo o coração no peito, desceu até a rua e, deslumbrada,
abeirou-se dele e rogou, genuflexa:

 -Senhor, digna-te receber-me por escrava fiel!...
 Mostra-me a tua vontade! Manda e obedecerei!...

 O Embaixador Divino afagou-lhe os cabelos salpicados de neve e respondeu-lhe:

 -Ajuda-me aqui e agora!... Passará, dentro em pouco, pobre menino recém-nascido.
 Não tem pai que o ame na Terra e nem lar que o conforte. Na aparência, é um
rebento infeliz de apagada mulher. Entretanto, é valioso trabalhador do Reino de
Deus, cujo futuro nos cabe prevenir. Ajudemo-lo, bem como a tantos outros irmãos
necessitados, aos quais devemos amparar com o nosso amor e dedicação.

 Logo após, por mais se esforçasse, ela nada mais viu.
 O Mestre como que se fundira na neblina esvoaçante...

 De alma renovada, porém, aguardou o momento de servir. E, quando infortunada
mãe apareceu, sobraçando um anjinho enfermo, a serva do Cristo socorreu-a, de
pronto, com alimentação adequada e roupa agasalhante.

 Desde então, a serva transformada não mais esperou por Jesus, imóvel e zelosa,
na Janela do seu alto aposento. Depois de prece curta, descia para o trabalho à
multidão desconhecida, na execução de tarefa aparentemente sem importância,
fosse para lavar a ferida de um transeunte, para socorrer uma criancinha doente,
ou para levar uma palavra de consolo.

 E, assim procedendo, radiante, tornou a ver, muitas vezes, o Senhor que
lhe sorria reconhecido...




 Que Deus, Jesus e o Espirito Santo nos abençoe e ilumine.








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« Última modificação: Agosto 19, 2013, 01:05:26 am por Espirita.net »
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #3 Online: Agosto 19, 2013, 20:53:00 pm »
  Irmãos em Cristo mais uma gota da luz de Jesus
 
   Pequena história do discípulo
 
   Quando o Mestre visitou o aprendiz pela primeira vez, encontrou-o
mergulhado na leitura das informações divinas.
   Viu-o absorto na procura de sabedoria e falou:
   -Abençoado seja o filho do conhecimento superior!
   E passou á frente, entregando ao cuidado de seus prepostos.
   Voltando mais tarde a revê-lo, surpreendeu-o inflamado de entusiasmo
pelo maravilhoso. Sentia-se dominado pelas claridades da revelação,
propondo-se estendê-las por todos os recantos da Terra. Queria ganhar
o mundo para o Senhor Supremo. Multiplicava promessas de sacrifício
pessoal e interpretava teoricamente a salvação por absoluto serviço da
esperança contemplativa.
   O Companheiro Eterno afagou-lhe a fronte sonha-doura e disse:
   -Louvado seja o Apóstolo do ideal!
   E seguiu adiante, confiando-o a dedicados mensageiros.
   Regressou, em outra ocasião, a observá-lo e registrou-lhe nova
mudança. Guiava-se o aprendiz pelos propósitos combativos. Através do
conhecimento e do ideal que adquirira, presumia-se na posse da realidade
universal e movia guerra sem sangue a todos os semelhantes que lhe não
pisassem o degrau evolutivo. Gravava dístiscos incendiários, a fim de
purificar os círculos da crença religiosa. Acusava, julgava e punia sem
comiseração. Alimentava a estranha volúpia de enfileirar adversários novos.
Pretendia destruir e renovar tudo. Nesse mister, desconhecia o respeito ao
próximo, fazia tábua das mais comezinhas regras de educação, assumindo
graves responsabilidades para o futuro.
   O Compassivo, todavia, reconhecendo-lhe a sinceridade cristalina,
acariciou-lhe as mãos inquietas e enunciou:
   -Amparado seja o defensor da verdade!
   E dirigiu-se a outras paragens, entregando-o á proteção de missionários fiéis.
   Tornando ao círculo do seguidor, em época diferente, reparou-lhe a
posição diversa. Dera-se o discípulo á sistemática pregação dos princípios
edificantes que adotara, condicionando-os aos seus pontos de vista.
Escrevia páginas veementes e fazia discursos comovedores. Projetava nos
ouvintes a vibração de sua fé. Era condutor das massas, herói do verbo
primoroso, falado e escrito.
   O Instrutor Sublime abraçou-o e declarou:
   -Iluminado seja o ministro da palavra celestial!
   E ganhou rumo a outros, colocando-o sob a inspiração de valorosos
emissários.
   Escoando longos anos, retornou o Magnânimo e anotou-lhe a
transformação. O aprendiz exibia feridas na alma. A conquista do mundo
não era tão fácil, refletia ele com amargura. Embora sincero, fora defrontado
pela falsidade alheia. Desejoso de praticar o bem, era incessante-mente
visado pelo mal. Via-se rodeado de espinhos. Suportava calúnias e
sarcasmo. Alvejado pelo ridículo entre os que amava, trazia o espírito
crivado de dúvidas e receios perniciosos. Era incompreendido nas melhores
intenções. Se dava pão, recebia pedradas. Se acendia luz, provocava
perseguições das trevas. Lia os livros santos, á maneira do faminto que
procura alimento; sustentava seus ideais com dificuldades sem conta;
ensinava o caminho superior, de coração dilacerado e pé sangrando...
   O Sábio dos sábios enxugou-lhe o suor copioso e falou:
   -Amado seja o peregrino da experiência!
   E seguiu, estrada afora, confiando-o a carinhosos benfeitores.
   Retornando, tempos depois, o Salvador assinalou-lhe a situação
surpreendente. Chorando para dentro, reconhecia o discípulo que muito
mais difícil que a conquista do mundo era o domínio de si mesmo. Em
minutos culminantes do aprendizado, entregara-se também a forças
inferiores. Embora de pé, sabia, de conhecimento pessoal, quão amargo
sabor o lodo á boca. Cedera, bastas vezes, as sugestões menos dignas
que combatia. Aprendera que, se era fácil ensinar o bem aos outros, era
sempre difícil e doloroso edifica-lo no próprio íntimo. Ele que condenara a
vaidade e o egoísmo, a volúpia e o orgulho, verificava que não havia
desalojado tais monstros de sua alma. Renunciava ao combate com o
exterior, a fim de lutar consigo muito mais. Vivia sob a pressão de
tempestade renovadora. Ciente das fraquezas e imperfeições de si mesmo,
confiava, acima de tudo, no Altíssimo, a cuja bondade infinita submetia os
torturantes problemas individuais, através da prece e da vigilância entre lágrimas.
   O Divino Amigo secou-lhe o pranto e exclamou:
   -Bendito seja o irmão da dor que santifica!
   E seguiu para diante, recomendando-o aos colaboradores celestiais.
   Anos decorridos, regressou o Misericordioso e admirou-lhe a situação
diversa. O discípulo renovara-se completamente. Preferia calar para que os
outros se fizessem ouvir. Analisava as dificuldades alheias pelos tropeços
com que fora defrontado na senda. A compreensão em sua alma era doce
e espontânea, sem qualquer tendência á superioridade que humilha. Via
irmãos em toda parte e estava disposto a auxiliá-los e socorrê-los, sem
preocupação de recompensa. Aos seus olhos, os filhos de outros lares
deviam ser tão amados quanto os filhos do teto que nascera. Entendia os
dramas dolorosos dos vizinhos, honrava os velhos e estendia mãos
protetoras às crianças e aos jovens. Lia os escritos sagrados, mas
enxergava também a Eterna Sabedoria na abelha operosa, na nuvem
distante, no murmúrio do vento. Regozijava-se com a alegria e o bem
estar dos amigos, tanto quanto lhes partilhava os infortúnios. Inveja e
ciúme, despeito e cólera não lhe perturbavam o santuário interior. Não
sentia necessidade de perdoar, porque amava os semelhantes como Jesus
lhe havia ensinado. Orava pelos adversários gratuitos do caminho,
convencido de que não eram maus, e sim ignorantes e incapazes.
   Socorria os ingratos, lembrando que o futuro verde não pode oferecer o
sabor daquele que amadurece a seu tempo. Chorava de júbilo, a sós, oração
de louvor, reconhecendo a extensão das bençãos que recebera do Céu...
   Interpretava dores e problemas como recursos de melhoria substancial.
As lutas eram para ele degraus de ascensão. Os perversos, ao seu olhar,
eram irmãos infelizes, necessitados de compaixão fraternal. Sua palavra
jamais condenava. Seus pés não caminhavam em vão. Seus ouvidos
mantinham-se atentos ao bem. Seus olhos enxergavam de mais alto. Suas
mãos ajudavam sempre. Sintonizava sua mente com esfera superior. Seu
maior desejo, era conhecer o programa do Mestre e cumpri-lo. Pregava a
verdade e a ensinava a quantos procurassem ouvi-lo; entretanto,
experimentava maior prazer em ser útil. Guardava, feliz a disposição de
servir a todos. Sabia que era imprescindível amparar o fraco para que a
fragilidade não o precipitasse no pó, e ajudar ao forte a fim de que a força
mal aplicada não o envilecesse.
   Conservava o conhecimento, o ideal, o entusiasmo, a combatividade em
favor do bem, a experiência benfeitora e a oração iluminava; todavia,
acima de tudo, compreendia a necessidade de refletir a vontade de Deus
no serviço ao próximo. Suas palavras revestiam-se de ciência celestial, a
humildade não fingida era gloriosa auréola em sua fronte e, por onde
passava, agrupavam-se em torno dele os filhos da sombra, buscando em
sua alma a luz que amam quase sempre sem entender...
   O Senhor, encontrando-o em semelhante estado, estreitou-o nos braços,
de coração a coração, proclamando:
   -Bem aventurado o servo fiel que busca a divina vontade de nosso Pai!
   E, desde então, passou a habitar com o discípulo para  sempre.
 
   Autor: Chico Xavier pelo espírito Irmão X

   Quanta luz, é difícil não se emocionar com estas verdades.
   Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo, eu te amo Jesus.
« Última modificação: Agosto 19, 2013, 21:01:43 pm por Espirita.net »
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #4 Online: Agosto 20, 2013, 09:03:26 am »




 Autor: Chico Xavier pelo espirito Irmão X
 A última tentação
 
 Dizem que Jesus ,na hora extrema, começou a procurar os discípulos, no seio da agitada multidão que lhe cercava o madeiro, em busca de algum olhar amigo em que pudesse reconfortar o espírito atribulado...
 Contemplou, em silencio, a turba enfurecida.
 Fustigado pelas vibrações de ódio e crueldade, qual se devera morrer, sedento em chagas, sob um montão de espinhos, começou a lembrar os afeiçoados e seguidores da véspera...
 Onde estariam seus laços amorosos da Galiléia?...
 Recordou o primeiro contato com os pescadores e chorou.
 A saudade amargurava-lhe o coração. .
 Por que motivo Simão Pedro fora tão frágil? que fizera ele, Jesus, para merecer a negação do companheiro a quem mais confiara?
 Que razões teriam levado Judas a esquecê-lo? Como entregara , assim, ao preço de míseras moedas, o coração que o amava tanto?
 Onde se refugiara Tiago, em cuja presença tanto se comprazia?
 Sentiu profunda saudade de Felipe e Bartolomeu, e desejou escutá-los.
 Rememorou suas conversações com Mateus e refletiu quão doce lhe seria poder abraçar o inteligente funcionário de Cafarnaum, de encontro ao peito...
 De reminiscência a reminiscência, teve fome de ternura e da confiança das criancinhas da galiléias que lhe ouviam a palavra, deslumbradas e felizes, mas os meninos simples e humildes que o amavam perdiam-se, agora a distância...
 Recordou Zebedeu e suspirou por acolhe-se-lhe à casa singela.
 João, o amigo abnegado, achava-se ali mesmo, em terrível desapontamento, mas precisava socorro para sustentar Maria, a angustiada Mãe, ao pé da cruz.
 O Mestre desejava alguém que o ajudasse, de perto, em cujo carinho conseguisse encontrar um apoio e uma esperança...
 Foi quando viu levantar-se, dentre a multidão desvairada e cega, alguém que ele, de pronto, reconheceu. Era o mesmo Espírito perverso que o tentara no deserto, no pináculo do templo e no cimo do monte.
 O Gênio da Sombra, de rosto enigmático, abeirou-se dele e murmurou:
- Amaldiçoa os teus amigos ingratos e dar-te-ei o reino do mundo! Proclama a fraqueza dos teus irmãos de ideal, a fim de que a justiça te reconheça a grandeza angélica e desceras, triunfante, da cruz!... Dize que os teus amigos são covardes e duros, impassíveis e traidores e unir-te-e aos poderosos da Terra para que domines todas as consciências.
 Tu sabes que, diante de Deus, eles não passam de míseros desertores...
 Jesus escutou, com expressiva mudez, mas o pranto manou-lhe mais intensamente do olhar translúcido.
- Sim - pensava -, Pedro negara-o, mas não por maldade. A fragilidade do Apóstolo podia ser comparada à ternura de uma oliveira nascente que, com os dias, se transforma no tronco robusto e nobre, a desafiar a implacável visita dos ano. Judas entregara-o, mas não por má-fé.
Iludira-se com a política farisaica e julgava poder substitui-lo com vantagens nos negócios do povo.
 Encontrou, no imo d'alma, a necessária justificação para todos e parecia esforçar-se por dizer o que lhe subia do coração
 Ansioso, o Espírito das trevas aguardava-lhe a pronúncia, mas o Cordeiro de Deus, fixando os olhos no céu inflamado de luz, rogou em tom inesquecível:
- Perdoa-lhes, Pai! Eles não sabem o que fazem!...
 O Príncipe das Sombras retirou-se apressado.
 Nesse instante, porém, em vez de deter-se na contemplação de Jerusalém dominada de impiedade e loucura, o Senhor notou que o firmamento rasgara-se, de alto a baixo, e viu que os anjos iam e vinham, tecendo de estrelas e flores o caminho que o conduzira ao Trono Celeste.
 Uma paz indefinível e soberana estampara-se-lhe no semblante.
 O Mestre vencera a última tentação e seguiria, agora, radiante e vitorioso, para a claridade sublime da ressurreição eterna.
 
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #5 Online: Agosto 29, 2013, 21:22:44 pm »
JOANA DE CUZA

Entre a multidão que invariavelmente acompanhava a Jesus nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação e nobre caráter, das mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, consorte de Cuza, intendente de Antipas, na cidade onde se conjugavam interesses vitais de comerciantes e de pescadores.

Joana possuía verdadeira fé; entretanto, não conseguiu forrar-se às amarguras domésticas, porque seu companheiro de lutas não aceitava as claridades do Evangelho. Considerando seus dissabores íntimos, a nobre dama procurou o Messias, numa ocasião em que ele descansava em casa de Simão e lhe expôs a longa série de suas contrariedades e padecimentos. O esposo não tolerava a doutrina do Mestre. Alto funcionário de Herodes, em perene contato com os representantes do Império, repartia as suas preferências religiosas, ora com os interesses da comunidade judaica, ora com os deuses romanos, o que lhe permitia viver em tranqüilidade fácil e rendosa. Joana confessou ao Mestre os seus temores, suas lutas e desgostos no ambiente doméstico, expondo suas amarguras em face das divergências religiosas existentes entre ela e o companheiro.

Após ouvir-lhe a longa exposição, Jesus lhe ponderou:

– Joana, só há um Deus, que é o Nosso Pai, e só existe uma fé para as nossas relações com o seu amor. Certas manifestações religiosas, no mundo, muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Todos os templos da Terra são de pedra; eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Entre o sincero discípulo do Evangelho e os erros milenários do mundo, começa a travar-se o combate sem sangue da redenção espiritual. Agradece ao Pai o haver-te julgado digna do bom trabalho, desde agora. Teu esposo não te compreende a alma sensível? Compreender-te-á um dia. É leviano e indiferente? Ama-o, mesmo assim. Não te acharias ligada a ele se não houvesse para isso razão justa. Servindo-o com amorosa dedicação, estarás cumprindo a vontade de Deus. Falas-me de teus receios e de tuas dúvidas. Deves, pelo Evangelho, amá-la ainda mais. Os sãos não precisam de médico. Além disso, não poderemos colher uvas nos abrolhos, mas podemos amanhar o solo que produziu cardos envenenados, afim de cultivarmos nele mesmo a videira maravilhosa do amor e da vida.

Joana deixava entrever no brilho suave dos olhos a íntima satisfação que aqueles esclarecimentos lhe causavam; mas, patenteando todo o seu estado dalma, interrogou :

– Mestre, vossa palavra me alivia o espírito atormentado; entretanto, sinto dificuldade extrema para um entendimento recíproco no ambiente do meu lar. Não julgais acertado que lute por impor os vossos princípios? Agindo assim, não estarei reformando o meu esposo para o céu e para o vosso reino?

O Cristo sorriu serenamente e retrucou :

– Quem sentirá mais dificuldade em estender as mãos fraternas, será o que atingiu as margens seguras do conhecimento com o Pai, ou aquele que ainda se debate entre as ondas da ignorância ou da desolação, da inconstância ou da indolência do espírito? Quanto à imposição das idéias – continuou Jesus, acentuando a importância de suas palavras – por que motivo Deus não impõe a sua verdade e o seu amor aos tiranos da Terra? Por que não fulmina com um raio o conquistador desalmado que espalha a miséria e a destruição, com as forças sinistras da guerra? A sabedoria celeste não extermina as paixões : transforma-as. Aquele que semeou o mundo de cadáveres desperta, às vezes, para Deus apenas com uma lágrima. O Pai não impõe a reforma a seus filhos: esclarece-os no momento oportuno. Joana, o apostolado do Evangelho é o de colaboração com o céu, nos grandes princípios da redenção. Sê fiel a Deus, amando ao teu companheiro do mundo, como se fora teu filho. Não percas tempo em discutir o que não seja razoável. Deus não trava contendas com as suas criaturas e trabalha em silêncio, por toda a Criação. Vai!... Esforça-te também no silêncio e, quando convocada ao esclarecimento, fala o verbo doce ou enérgico da salvação, segundo as circunstâncias! Volta ao lar e ama ao teu companheiro como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de vida, sabedoria e amor!...

Joana do Cuza experimentava um brando alívio no coração. Enviando a Jesus um olhar de carinhoso agradecimento, ainda lhe ouviu as ultimas palavras:

– Vai, filha!... Sê fiel!

Desde esse dia, memorável para a sua existência, a mulher de Cuza experimentou na alma a claridade constante de uma resignação sempre pronta ao bom trabalho e sempre ativa para a compreensão de Deus, como se o ensinamento do Mestre estivesse agora gravado indelevelmente em sua alma, considerou que, antes de ser esposa na Terra, já era filha daquele Pai que, do Céu, lhe conhecia a generosidade e os sacrifícios. Seu espírito divisou em todos os labores uma luz sagrada e oculta.

Procurou esquecer todas as características inferiores do companheiro, para observar somente o que possuía ele de bom, desenvolvendo, nas menores oportunidades, o embrião vacilante de suas virtudes eternas. Mais tarde, o céu lhe enviou um filhinho, que veio duplicar os seus trabalhos; ela porém, sem olvidar as recomendações de fidelidade que Jesus lhe havia feito, transformava suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia.

Os anos passaram e o esforço perseverante lhe multiplicou os bens da fé, na marcha laboriosa do conhecimento e da vida. As perseguições políticas desabaram sobre a existência do seu companheiro. Joana, contudo, se mantinha firme. Torturado pelas idéias odiosas de vingança, pelas dívidas insolváveis, pelas vaidades feridas, pelas moléstias que lhe verminaram o corpo, o ex-intendente de Antipas voltou ao plano espiritual, numa noite de sombras tempestuosas. Sua esposa, todavia, suportou os dissabores mais amargos, fiel aos seus ideais divinos edificados na confiança sincera. Premida pelas necessidades mais duras, a nobre dama de Cafarnaum procurou trabalho para se manter com o filhinho, que Deus lhe confiara! Algumas amigas lhe chamaram a atenção, tomadas de respeito humano. Joana, no entanto, buscou esclarecê-las, alegando que Jesus, igualmente, havia trabalhado, calejando as mãos nos serrotes de uma carpintaria singela e que, submetendo-se ela a uma situação de subalternidade no mundo, se dedicara primeiramente ao Cristo, de quem se havia feito escrava devotada.

Cheia de alegria sincera, a viúva de Cuza esqueceu o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão. Mais tarde, quando a neve das experiências do mundo lhe alvejou os primeiros anéis da fronte, uma galera romana a conduzia em seu bojo, na qualidade de serva humilde.

No ano 68, quando as perseguições ao Cristianismo iam intensas, vamos encontrar, num dos espetáculos sucessivos do circo, uma velha discípula do Senhor amarrada ao poste do martírio, ao lado de um homem novo, que era seu filho.

Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações.

– Abjura!... – Exclama um executar das ordens imperiais, de olhar cruel e sombrio. Mas, a antiga discípula ao Senhor contempla o céu, sem uma palavra de negação ou de queixa. Então o açoite vibra sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas: – “Repudia a Jesus, minha mãe!...

Não vês que nos perdemos?! Abjura!... por mim que sou teu filho!...”

Pela primeira vez, dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas. As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o coração.

– Abjura!... Abjura!

Joana ouve aqueles gritos, recordando a existência inteira. O lar risonho e festivo, as horas de ventura, os desgostos domésticos, as emoções maternais, os fracassos do esposo, sua desesperação e sua morte, a viuvez, a desolação e as necessidades mais duras... Em seguida, ante os apelos desesperados do filhinho, recordou que Maria também fora mãe e, vendo o seu Jesus crucificado no madeiro da infâmia, soubera conformar-se com os desígnios divinos. Acima de todas as recordações, como alegria suprema de sua vida, pareceu-lhe ouvir ainda o Mestre, em casa de Pedro, a lhe dizer: – “Vai filha! Sê fiel!” Então, possuída de força sobre-humana, a viúva de Cuza contemplou a primeira vítima ensangüentada e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente:

– Cala-te, meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as felicidades transitórias do mundo, é preciso ser fiel a Deus!

A esse tempo, com os, aplausos delirantes do povo, os verdugos incendiavam, em derredor, achas de lenha embebidas em resina inflamável. Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido. Joana de Cuza contemplou, com serenidade, a massa de povo que lhe não entendia o sacrifício. Os gemidos de dor lhe morriam abafados no peito opresso. Os algozes da mártir cercaram-lhe de impropérios a fogueira:

– O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer? – Perguntou um dos verdugos.

A velha discípula, concentrando a sua capacidade de resistência, teve ainda forças para murmurar:

– Não apenas a morrer, mas também a vos amar!...

Nesse instante, sentiu que a mão consoladora do Mestre lhe tocava suavemente os ombros, e lhe escutou a voz carinhosa e inesquecível:

– Joana, tem bom ânimo!... Eu aqui estou! ...

pelo Espírito Humberto de Campos (Irmão X) - Do livro: Boa Nova, Médium: Francisco Cândido Xavier
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #6 Online: Agosto 29, 2013, 21:43:45 pm »
A FICHA




João Matheus, distinto pregador do Evangelho na seara Espírita, na noite em que atingiu meio século de idade no corpo físico, depois de orar enternecidamente com os amigos, foi deitar-se. Sonhou que alcançava as portas da Vida Espiritual e, deslumbrado com a leveza de que se via possuído, intentava alçar-se para melhor desfrutar a excelsitude do Paraíso, quando um funcionário da Passagem Celeste se aproximou, a lembrar-lhe solícito:
-João, para evitar qualquer surpresa desagradável no avanço, convém uma vista d'olhos em sua ficha…
E o viajante recebeu primoroso documento em cuja face leu, espantadiço:
João Matheus.
• Renascimento na Terra em 1904.
• Berço manso.
• Pais carinhosos e amigos.
• Inteligência preciosa.
• Cérebro claro.
• Instrução digna.
• Bons livros.
• Juventude folgada.
• Boa saúde.
• Invejável noção de conforto.
• Sono calmo.
• Excelente apetite.
• Seguro abrigo doméstico.
• Constante proteção espiritual.
• Nunca sofreu acidentes de importância.
• Aos 20 anos de idade empregou-se no comércio.
• Casou-se aos 25 anos em regime de escravização da mulher.
• Católico romano até os 26.
• Presenciou, sem maior atenção, 672 missas.
• Aos 27 anos de idade, transferiu-se para as fileiras espíritas.
• Compareceu a 2195 sessões de Espiritismo sob a invocação de
Jesus.
• Realizou 1602 palestras e pregações doutrinárias.
• Escreve cartas e páginas comoventes.
• Notável narrador.
• Polemista cauteloso.
• Quatro filhos.
• Boa mesa em casa.
• Não encontra tempo para auxiliar os filhos na procura do Cristo.
• Efetuou 106 viagens de repouso e distração.
• Grande intolerância para com os vizinhos.
• Refratário a qualquer mudança de hábitos para a prestação de
serviços aos outros.
• Nunca percebeu se ofende o próximo através de sua conduta, mas revela extrema suscetibilidade ante a conduta alheia.
• Relaciona-se tão somente com amigos do mesmo nível.
• Sofre horror às complicações da vida social, embora destaque incessantemente o imperativo da fraternidade entre os homens.
• Sabe defender-se com esmero em qualquer problema difícil.
• Além dos recursos naturais que lhe renderam respeitável posição e expressivo reconforto doméstico, sob o constante amparo de Jesus, através de múltiplas mensagens, conserva bens imóveis no valor de CR$ 600.000,00 e guarda em conta de lucro particular a importância de CR$ 302.000,00.
• Para Jesus que o procurou na pessoa de mendigos, de necessitados e doentes, deu durante a vida 90 centavos. Para cooperar no apostolado do Cristo, já ofereceu 12 cruzeiros em obras de assistência social.
DÉBITO
Quando ia ler o item referente às próprias dívidas, fortemente impressionado, João acordou.
Era manhãzinha.
À noite, bem humorado, reuniu-se aos companheiros, relatando-lhes a ocorrência.
Estava transformado, dizia. O sonho modificara-lhe o modo de pensar.
Consagrar-se-ia doravante a trabalho mais vivo no movimento espírita.
Pretendia renovar-se por dentro e reuniria agora palavra e ação.
Para isso, achava-se disposto a colaborar substancialmente na construção de um lar destinado à recuperação de crianças desabrigadas que, desde muito, desejava socorrer.
A experiência daquela noite inesquecível era, decerto, um aviso precioso.
E, sorridente, despediu-se dos irmãos de ideal, solicitando-lhes novo reencontro para o dia seguinte. Esperava assentar as bases da obra que se propunha levar a efeito.
Contudo, na noite imediata, quando os amigos lhe bateram à porta, vitimado por um acidente das coronárias, João Matheus estava morto.
Irmão X
Do Livro Contos e Apólogos
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #7 Online: Agosto 29, 2013, 22:05:44 pm »
APONTAMENTOS DO ANCIÃO

Em face dos aborrecimentos que lhe fustigavam o espírito, ante a opinião pública a desvairar-se em torno de sua memória, humilde “jornalista morto” ouviu sereno ancião, que lhe falou com sabedoria:

– Quando Jesus transformou a água em vinho, nas bodas de Caná, os maledicentes cochicharam, em derredor:
– Que é isto? um messias, incentivando a embriaguez?

Mais tarde, em se reunindo aos pescadores da Galiléia, a turba anotou, inconsciente:
– É um vagabundo em busca de pessoas tão desclassificadas quanto ele mesmo. Porque não procura os principais?

Logo às primeiras pregações, a chusma dos ignorantes, ao invés de reconhecer os benefícios da Palavra Divina, comentou, irreverente:
– É insubmisso. Vive sem horários, sem disciplinas de serviço.

À vista da multiplicação dos pães e dos peixes, a massa não se comoveu quanto seria de esperar, Muita gente perguntou, franzindo sobrancelhas:
– Como? um orientador sustentando ociosos?

Limpando as feridas de alguns lázaros que o buscavam, afirmou-se, em surdina:
– Vale-se da insensatez dos tolos para impressionar!

E quando o viram curar um paralítico, no sábado, consideraram os inimigos gratuitos:
- Agride publicamente a Lei.

Por aceitar a consideração afetuosa de Maria de Magdala, murmuraram os maledicentes:
– É desordeiro comum. Não consegue nem mesmo afivelar a máscara ao próprio rosto, dando-se à companhia de vil criatura, portadora de sete demônios.

Ao valer-se da contribuição de nobres senhoras, qual Joana de Cusa, no desdobramento do apostolado, soavam exclamações como estas:
– É um explorador de mulheres piedosas!

- Vive do dinheiro dos ricos, embora passe por virtuoso!

Porque se demorasse alguns minutos, junto de publicanos pecadores, a fim de ensinar-lhes a ciência de renovação íntima, acusavam-no, sem compaixão:
– É um gozador da vida como os outros!

Se buscava paisagens silenciosas para o reconforto na oração, gritava-se com desrespeito:
– Este é um salvador solitário, orgulhoso demais para ombrear com o povo.

Como se aproximasse da samaritana, com o propósito de socorrer-lhe a alma, indagou-se com malícia:
– Que faz ele em companhia de mulher que já pertenceu a vários maridos?

Atendendo às súplicas de um centurião cheio de fé, a leviandade intrigou:
- É um adulador de romanos desbriados.

Visitando Zaqueu, escutou apontamentos irônicos:
– É um pregador do Céu que se garante com os poderosos senhores da Terra...

Abraçando o cego de Jericó, registrou a inquirição que se fazia ao redor de seus passos:
– Que motivos o prendem a tanta gente imunda?

Penetrando Jerusalém no dia, festivo, e impossibilitado de impedir o regozijo de quantos confiavam em seu ministério, afrontou sentenças sarcásticas:
– Fora com o revolucionário! Morte ao falso profeta!...

Censurando o baixo comercialismo do grande Templo de Salomão, dele disseram abertamente:
– É criminoso perseguidor de Moisés.

Levantando Lázaro no sepulcro, gritavam não, longe:
– É Satanás em pessoa!...

Reunindo os companheiros na última ceia, para as despedidas, e lavando-lhes os pés, observaram nas vizinhanças do cenáculo:
– É pobre demente.

Ao se deixar prender sem resistência, objetou a multidão :
– É covarde! comprometeu a muitos e foge sem reação!

Recebendo o madeiro, berraram-lhe aos ouvidos:
– Desertor! pagarás teus crimes!

No martírio supremo, era apostrofado sem comiseração:
– Feiticeiro! de onde virão teus defensores?

Torturado, em plena agonia, ouviu de bocas inúmeras:
– Salva a ti mesmo e desce da cruz!

E antes que o cadáver viesse para os braços maternos, trêmulos de angústia, muita gente regressou do Gólgota, murmurando:
– Teve o fim que merecia, entre ladrões.

O velhinho fez intervalo expressivo e ajuntou:
– Como sabe, isto aconteceu com Jesus-Cristo, o Divino Governador Espiritual do Planeta.

Sorriu, afável, e rematou:
– Endividados como somos, que devemos aguardar, por nossa vez, das multidões da Terra?

Foi, então, que vi o pobre escritor desencarnado exibir uma careta de alegria, que se degenerou em cristalina e saborosa gargalhada...

pelo Espírito Irmão X
Do livro: Luz Acima
Médium: Francisco Cândido Xavier.
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #8 Online: Agosto 30, 2013, 14:28:11 pm »

Escrito pelo espírito: Irmão X (Humberto de Campos)
 Psicografia de: Chico Xavier
 Livro: Pontos e Contos
 Tema: Grande Cabeça

 O Dr. Abelardo Tourinho era, indiscutivelmente, verdadeira águia de inteligência. Advogado de renome, não conhecia derrotas. Sua palavra sugestiva, nos grandes processos, tocava-se de maravilhosa expressão de magnetismo pessoal. Seus pareceres denunciavam apurada cultura. Abelardo se mantinha, horas e horas, no gabinete particular, surpreendendo as colisões das leis humanas entre si. Mas, seu talento privilegiado caracterizava-se por um traço lamentável. Não vacilava na defesa do mal, diante do dinheiro. Se o cliente prometia pagamento farto, o advogado torturava decretos, ladeava artigos, forçava interpretações e acabava em triunfo espetacular. Chamavam-lhe “grande cabeça” nos círculos de convivência comum. Era temido pelos colegas de carreira. Os assistentes se atropelavam a fim de atendê-lo no que desejasse. Muita vez, foi convidado a atuar, em posição destacada, nas esferas político-administrativas; entretanto, esquivava-se, porque as gratificações dum deputado eram singelas, perto dos honorários que recebia. Seus clientes degradantes eram sempre numerosos. Sua banca era freqüentada por avarentos transformados em sanguessugas do povo, por negociantes inescrupulosos ou por criminosos da vida econômica, detentores de importante ficha bancária. Abelardo nunca foi visto lutando em causa humilde, defendendo os fracos contra os poderosos, amparando infortunados contra os favorecidos da sorte. Afirmava não se interessar por questões pequenas.
 Mas, havia alguém que o acompanhava, sem tecer elogios precipitados. Era sua mãe, nobre velhinha cristã, que o alertava, de quando em quando, com sinceridade e amor. Dizia ela:
- Abelardo, não te descuides na missão do Direito. Não admitas que a idéia de ganho te avassale as cogitações. Creio que a tarefa da justiça terrestre é muito delicada, além de profundamente complexa. Ser advogado ou juiz é difícil ministério da consciência. Por vezes, observo-te as inquietações na defesa dos clientes ricos e fico preocupada. Não te impressiones pelo dinheiro, meu filho! Repara, sobretudo, o dever cristão e o bem a praticar. Sinto falta dos humildes, em derredor de teu nome. Ouço os aplausos de teus colegas e conheço a estima que desfrutas, no seio das classes abastadas, mas ainda não vi, em teu circulo, os amigos apagados de que Jesus se cercava sempre. Nunca pensaste, Abelardo, que o Mestre Divino foi advogado da mulher infeliz e que, na própria cruz, foi ardoroso defensor dum ladrão arrependido? Creio que o teu apostolado é também santo...
 O eminente advogado balançava a cabeça, em sinal de desacordo, e respondia:
- Mãezinha, os tempos são outros. Devo preservar as conquistas efetuadas. Não posso, por isso, satisfazer-lhe as sugestões. Compreende a senhora que o advogado de renome necessita cliente à altura. Alias, não desprezo os mais fracos. Tenho meu gabinete vasto, onde dou serviço a companheiros iniciantes, junto aos quais os menos favorecidos do campo social encontram os recursos que necessitam...
- Oh! Meu filho! Estimaria tanto ver-te a sementeira evangélica!...
 O advogado interrompia-lhe as observações, sentenciando:
- A senhora, porém, necessita compreender que não sou ministro religioso. Não devo ligar-me a preceituação estranha ao Direito. E é tão escasso o tempo para a leitura e analise dos códigos que me não sobra ensejo para estudos do Evangelho. Além do mais – e fazia um gesto irônico -,que seria de meus filhos e de mim mesmo se apenas me rodeasse de pobretões? Seria o fim da carreira e a bancarrota geral.
 A genitora discutia amorosa, fazendo-lhe sentir a beleza dos ensinamentos cristãos, mas Abelardo, que se habituara aos conceitos religiosos de toda gente, não se curvava às advertências maternas, conservando mordaz sorriso ao canto da boca.
 A experiência terrestre foi passando devagar, como quem não sentia pressa em revelar a eternidade da vida infinita.
 A Senhora Tourinho regressou à espiritualidade, muito antes do filho.
 Abelardo, todavia, jamais cedeu aos seus pedidos.
 E foi assim que a morte o recolheu, envolvido em extensa rede de compromissos (com a lei divina). Compreendeu, tarde demais, as tortuosidades perigosas que traçara para si mesmo. Muito sofreu (no umbral) e chorou nos caminhos novos. Não conseguia levantar-se, achava-se caído, na expressão literal. Crescera-lhe a cabeça enormemente, retirando-lhe a posição de equilíbrio normal. Colara-se à terra, entontecido e freqüentemente atormentado pelas vitimas ignorantes e sofredoras (pessoas que ele prejudicou quando os fez perder a causa tornaram-se obsessores).
 A devotada mãezinha visitou-o por anos, sem alcançar resultados animadores.
 Ele prosseguia na mesma situação de imobilidade, deformação e sofrimento.
 A mãe, reparando na ineficácia de seus carinhos, trouxe um elevado orientador de almas à paisagem escura (umbral).
 Pretendia um parecer, a fim de traçar diretrizes de ação.
 O prestimoso amigo examinou o paciente, registrou-lhe as pesadas vibrações mentais, pensou, pensou e dirigiu-se à abnegada mãe, compadecido:
- Minha irmã, o nosso amigo padece de inchação da inteligência pelos crimes cometidos com as armas intelectuais. Seus órgãos da ideia foram atacados pela hipertrofia de amor-próprio. Ao que vejo, a única medida capaz de lhe apressar a cura é a hidrocefalia no corpo terrestre.
 A nobre genitora chorou amargurada, mas não havia remédio se não conformar-se.
 E, daí a algum tempo, pela inesgotável bondade do Cristo, Abelardo Tourinho reencarnou e podia ser identificado por amigos espirituais numa desventurada criança do mundo, colada a triste carrinho de rodas, apresentando um crânio terrivelmente disforme, para curar os desvarios da “grande cabeça”.
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Re:Espírito Irmão X
« Resposta #9 Online: Agosto 30, 2013, 14:40:52 pm »

Tema: A casca de banana
 Pelo Espírito: Irmão X
 Psicografia de: Chico Xavier
 Do livro: Conto desta e doutra vida


 Secundino renasceria entre os homens para socorrer crianças desamparadas, e, para isso, organizou-se-lhe grande missão no Plano Espiritual.
 Deteria consigo determinada fortuna, a fortuna produziria trabalho, o trabalho renderia dinheiro e o dinheiro lhe forneceria recursos para alimentar, vestir e educar duas mil criaturinhas sem refúgio doméstico. Ao seu lado teria um instrutor desencarnado chamado Lizel que o seguiria dando-lhe, em tempo devido, o necessário suprimento de inspirações. Estariam juntos, e Secundino, internado no corpo terrestre, assimilaria as idéias que o mentor lhe assoprasse.
 A experiência começou, assim, promissora...
 Da infância à mocidade, o tarefeiro Secundino parecia encouraçado contra a doença. Extravagante como ninguém, descia, suarento, de vigoroso cavalo do sítio paterno, mergulhando no sorvete, sem qualquer choque orgânico, e ingeria frutos deteriorados, como se possuísse estômago de resistência invencível.
 Em todas as particularidades da luta, contava com a afeição de Lizel, e, muito cedo, viu-se em contacto com o amigo espiritual, que não só lhe aparecia em sonhos, como também através dos médiuns, com os quais entrasse em sintonia.
 O benfeitor falava-lhe de crianças perdidas, pedia-lhe proteção para crianças sem rumo, rogava-lhe, indiretamente, a atenção para o noticiário sobre crianças ao desabrigo.
 E tanto fez Lizel que Secundino planeou o grande cometimento. Seria, sim, o protetor dos meninos desamparados... Entretanto, considerando as necessidades do serviço, pedia dinheiro em oração. E o dinheiro chegou, abundante...
 Ao influxo do amor providenciai de Lizel, sentia-se banhado em ondas de boa sorte... Explorou a venda de manganês e ganhou dinheiro, negociou imóveis e atraiu dinheiro, comprou uma fazenda e fez dinheiro, plantou café e ajustou dinheiro...
 Começou, porém, a batalha moral.
 Lizel falava em crianças e Secundino falava em ouro.
 Dizia Secundino que:
– “Protegeria a infância desditosa, contudo, antes, precisava escorar-se, garantir a família, assegurar a tranquilidade e arranjar cobertura.”
Casado, organizou fortuna para a mulher para o pai, acumulou fortuna para os filhos e para o sogro, amontoou riquezas para noras e genros, e, avô, adquiriu bens para os netos...
 Por demorar demais na execução dos compromissos, a Esfera Superior entregou-o à própria sorte.
 Apenas Lizel o seguia, generoso. E seguia-o arrasado de sofrimento moral, mostrando-lhe frustração.
 Secundino viciara-se nos grandes lances da vantagem imediata e algemara-se francamente idéia do lucro a qualquer preço.
 Lembrava os antigos projetos como sonhos da mocidade...
 Nada de assistência a menores abandonados, que isso era obra para governos... Queria dinheiro, respirava dinheiro, mentalizava novas rendas e trazia a cabeça repleta de cifras.
 Lizel, apesar disso, acompanhava-o, ainda... Agoniava-se para que Secundino voltasse a pensar nos meninos sem ninguém... Ansiava por rever-lhe o ideal de outra época!... Tudo seria diferente se o pobre companheiro despertasse para as bênçãos do espírito!...
 Aconteceu, no entanto, o inesperado.
 Ao descer de luzido automóvel para estudar o monopólio do leite, Secundino não percebe pequena casca de banana estendida no chão.
 Lizel assinala o perigo, mas suplica em vão o auxílio de outros amigos espirituais.
 O negociante endinheirado pisa em cheio no improvisado patim, perdendo o equilíbrio em queda redonda.
 Fratura-se a cabeça do fêmur e surge a internação no hospital; contudo, o coração cansado não corresponde aos imperativos do tratamento.
 Aparece a cardiopatia, a flebite, a trombose e, por fim, a uremia...
 No leito luxuoso, o missionário frustrado pensa agora nas criancinhas enjeitadas, experimentando o enternecimento do princípio... Chora. Quer viver mais tempo na Terra para realizar o grande plano. Apela para Deus e para Lizel, nas raias da morte...
 Seu instrutor, ao notar-lhe o sentimento puro, chora também, tomado de alegria... No entanto, emocionado consegue dizer-lhe apenas :

- Meu amigo! Meu amigo!.... Agradeçamos ao Senhor e à casca de banana a felicidade do reequilíbrio!... Seu ideal voltou intacto, mas agora é tarde... Esperemos que o berço lhe seja e propício...
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Re:Espírito: Irmão X
« Resposta #10 Online: Setembro 08, 2013, 00:43:59 am »
CONSCIÊNCIA ESPÍRITA

Diz você que não compreende o motivo de tanta autocensura nas comunicações dos espíritas desencarnados. Fulano, que deixou a melhor ficha de serviço, volta a escrever, declarando que não agiu entre os homens como deveria; sicrano, conhecido por elevado padrão de virtudes, regressa, por vários médiuns, a lastimar o tempo perdido... E você acentua, depois de interessantes apontamentos: “Tem-se a impressão de que os nossos confrades tornam, do Além, atormentados por terríveis complexos de culpa. Como explicar o fenômeno?”

Creia, meu caro, que nutro pessoalmente pelos espíritas a mais enternecida admiração. Infatigáveis construtores do progresso, obreiros do Cristianismo Redivivo. Tanta liberdade, porém, receberam para a interpretação dos ensinamentos de Jesus que, sinceramente, não conheço neste mundo pessoas de fé mais favorecidos de raciocínio, ante os problemas da vida e do Universo. Carregando largos cabedais de conhecimento, é justo guardem eles a preocupação de realizar muito e sempre mais, a favor de tantos irmãos da Terra, detidos por ilusões e inibições no capítulo da crença.

Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria “O Livro dos Espíritos”, recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O grande reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.

Comovido, o codificador da Doutrina Espírita, durante o repouso, viu-se também fora do corpo, em singular desdobramento... Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde gemiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor. Soluços de aflição casavam-se a gritos de cólera, blasfêmias seguiam-se a gargalhadas de loucura.

Atônito, Kardec lembrou os tiranos da História e inquiriu, espantado:

- Jazem aqui os crucificadores de Jesus?

- Nenhum deles – informou o guia solícito. – Conquanto responsáveis, desconheciam, na essência, o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os a se desembaraçarem do remorso, conseguindo-lhes abençoadas reencarnações, em que se resgataram perante a Lei.

- E os imperadores romanos? Decerto, padecerão nestes sítios aqueles mesmos suplícios que impuseram à Humanidade...

- Nada disso. Homens da categoria de Tibério ou Calígula não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Alguns deles, depois de estágios regenerativos na Terra, já se elevaram a esferas superiores, enquanto que outros se demoram, até hoje, internados no campo físico, à beira da remissão.

- Acaso, andarão presos nestes vales sombrios – tornou o visitante – os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho?

- De nenhum modo – replicou o lúcido acompanhante -, os carrascos dos seguidores de Jesus, nos dias apostólicos, eram homens e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que ostentavam... Todos foram encaminhados à reencarnação, para adquirirem instrução e entendimento.

O codificador do Espiritismo pensou nos conquistadores da Antiguidade, Átila, Aníbal, Alarico I, Gengis Khan... Antes, todavia, que enunciasse nova pergunta, o mensageiro acrescentou, respondendo-lhe à consulta mental:

- Não vagueiam, por aqui, os guerreiros que recordas... Eles nada saiam das realidades do espírito e, por isso, recolheram piedoso amparo, dirigidos para o renascimento carnal, entrando em lides expiatórias, conforme os débitos contraídos...

- Então, dize-me – rogou Kardec, emocionado -, que sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam a alma?

E o orientador esclareceu, imperturbável:

- Temos junto de nós os que estavam no mundo plenamente educado quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que fugiram deliberadamente da Verdade e do Bem, especialmente os cristãos infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por livre vontade... Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais difícil...

Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, de “O Livro dos Espíritos”: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?”, indagação esta a que os instrutores retorquiram: “Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

Segundo é fácil de perceber, meu amigo, com princípios tão claros e tão lógicos, é natural que a consciência espírita, situada em confronto com as ideias dominantes nas religiões da maioria, seja muito diferente.

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Re:Espírito: Irmão X
« Resposta #11 Online: Setembro 08, 2013, 00:54:16 am »
CURIOSA EXPERIÊNCIA

João Massena, espírito extremamente dedicado aos enfermos, desde alguns anos após a desencarnação dirigia um grupo de companheiros em grande cidade, esmerando-se na plantação das ideias libertadoras do Espiritismo.

Respeitado e querido, entre aqueles que lhe recebiam a generosidade, ampliava constantemente a própria área de ação, invocado carinhosamente, aqui e ali, prestava serviços preciosos, angariando tesouros de cooperação e simpatia.

Aplicava o Evangelho, com raro senso de oportunidade, sustentava infelizes, protegia desesperados e sabia orientar o concurso de vários médicos desencarnados, em favor dos doentes, especializando-se, sobretudo, no socorro aos processos obsessivos.

Massena apoiava o grupo de amigos encarnados e o grupo apoiava Massena, com tal segurança de entendimento e trabalho, que prodígios se realizavam constantemente.

As tarefas continuavam sempre animadoras, quando surgiu para João certo caso aflitivo. Jovem destinada a importantes edificações mediúnicas jazia em casa, trancada entre quatro paredes e vigiada por Espíritos impossíveis, interessados em cobrar-lhe algumas dívidas do passado culposo. Benfeitores da Vida Maior amparavam-na; perseguidores que lhe tramavam a perda.

Prestigiado pelos poderes Superiores, Massena estudou a melhor maneira de acordá-la para as responsabilidades de que se achava investida e percebeu que, para isso, bastaria aparecesse alguém capaz de lhe excitar a memória para o retorno ao equilíbrio, alguém que falasse a ela com respeito à fé raciocinada, à crença lógica, à imortalidade da alma e à vida espiritual.

A jovem, contudo, sob a provação da riqueza amoedada, sofria a desvantagem de não precisar sair do estreito recinto doméstico e, à face disso, encontrava maior empeço para largar a si própria.

A pouco e pouco, dominada por entidades vampirizadoras, entregou-se ao vício do álcool e, quase anulada que lhe foi a resistência, permitiu que essas mesmas criaturas perturbadas lhe assoprassem a sugestão de um crime a ser perpetrado na pessoa de um parente próximo.

Conquanto reagisse, a pobrezinha estava quase cedendo à insanidade, à delinquência.

João, aflito, reconheceu o estado de alarma. A moça, no entanto, não se ausentava de casa, não recebia visitas, não recorria a leituras e ignorava o poder da prece.

Mentalmente intoxicada, tomava rumo sinistro, quando Massena descobriu algo. A infortunada menina gostava de televisão, que se lhe fizera o único meio de contato com o mundo exterior.

Porque não auxiliá-la através de semelhante recurso?

O abnegado amigo espiritual pôs-se em campo e, repartindo apelos mentais, em setores diversos, conseguiu articular providências, até que um amigo lhe aceitou a inspiração e veio ao grupo com um projeto entusiástico. Esse “projeto entusiástico” não era outra coisa senão o interesse de Massena no salvamento da jovem.

E o visitante, sob o influxo dele, fez-se veemente no tranquilo cenáculo, convidando o conjunto a aproveitar uma oportunidade que obtivera em determinado canal. Conseguira vinte minutos para assunto espírita numa televisora respeitável.

O grupo representar-se-ia, por alguns dos componentes mais categorizados, daí a quatro dias – uma sexta-feira às dez da noite -, para comentar ligeiros aspectos de mediunidade e Doutrina Espírita.

O ofertante, após anotações de jubiloso otimismo, concluiu explicando que necessitava de ajustes urgentes. Queria de imediato, o nome do companheiro decidido a falar, antes de atender a instruções de autoridades e estabelecer minudências.

Os nove companheiros, ali reunidos, não sintonizavam, porém, naquela onda de expectação fervorosa.

Lara, o diretor de maior responsabilidade, ponderou:

- Ora! Ora! O Espiritismo não precisa de televisão. Temos as nossas casas de ensino... Entretanto, coloco o assunto ao critério dos irmãos...

O recém-chegado, expressando-se por si e pelo benfeitor espiritual que o envolvia em pensamentos de esperança, ripostou:

- Sem dúvida, o templo espírita é o lar da palavra doutrinária, mas isso não nos impede de comentar os princípios espíritas, em benefício da Humanidade, seja no rádio ou na imprensa, na rua ou no salão. Se fôssemos falar acerca do bem apenas nos instintos de fé religiosa, deixaríamos ao mal campo livre, terrivelmente livre...

O judicioso apontamento, contudo, não vingou.

Delcides, comentarista inteligente da equipe, aduziu:

- Sou contra. Eu não iria à televisão, de modo algum. Considero isso pura vaidade.

Antônio Pinho, orador competente, anuiu:

- De minha parte, não tenho coragem de me entregar a semelhante exibição...

Meira, verbo seguro e visão firme, comentou, seco:

- Nem eu.

E os demais cinco ajuntaram:

- Decididamente, ir à televisão falar de Espiritismo não está certo...

- Penso de igual modo. Quem quiser aprender Doutrina Espírita, venha às reuniões...

- Eu também não poderia concordar...

- Não sou de teatro...

- O assunto esta fora de cogitação...

Encerrou-se o entendimento e o ofertante afastou-se, desapontado.

Curiosos, visitamos a jovem obsidiada, justamente na data para a qual Massena lhe previa o suspirado auxílio. Eram dez horas da noite, na sexta-feira referida, e fomos achá-la sentada à frente do vídeo.

Os minutos que seriam reservados aos comentários em torno do Espiritismo estavam sendo aplicados num festivo programa de exaltação ao uísque e, perplexos, fitamos o simpático sorriso de tele-atriz que convidava:

- Beba a nova marca! Uma delícia!...

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Re:Espírito: Irmão X
« Resposta #12 Online: Setembro 08, 2013, 19:10:27 pm »
BELARMINO BICAS

Depois da festa beneficente, em que servíramos juntos, Belarmino Bicas, prezado companheiro a que nos afeiçoamos, no Plano Espiritual, chamou-me à parte e falou, decidido:

- Bem, já que estivemos hoje em tarefa de solidariedade, estimaria solicitar um favor...

Ante a surpresa que nos assaltou, Belarmino prosseguiu:

- Soube que você ainda dispõe de alguma facilidade para escrever aos companheiros encarnados na Terra e gostaria de confiar-lhe um assunto...

- Que assunto?

- Acontece que desencarnei com cinqüenta e oito anos de idade, após vinte de convicção espírita. Abracei os princípios codificados por Allan Kardec, aos trinta e oito anos de idade, e, como sempre fora irascível por temperamento, organizei, desde os meus primeiros contactos com a Doutrina Consoladora, uma relação diária de todas as minhas exasperações, apontando-lhes as causas para estudos posteriores...

Os meus desconchavos, porém, foram tantos que, apesar dos nobres conhecimentos assimilados, suprimi, inconscientemente, vinte e dois anos da quota de oitenta que me cabia desfrutar no corpo físico, regressando à Pátria Espiritual na condição de suicida indireto...

Somente aqui, pude examinar os meus problemas e acomodar-me às desilusões... Quantos tesouros perdidos por bagatelas! Quanta asneira em nome do sentimento!...

E, exibindo curioso papel, Belarmino acrescentava:

- Conte o meu caso para quem esteja ainda carregando a bobagem do azedume! Fale do perigo das zangas sistemáticas, insista na necessidade da tolerância, da paciência, da serenidade, do perdão!

Rogue aos nossos companheiros para que não percam a riqueza das horas com suscetibilidades e amuos, explique ao pessoal na Terra que mau-humor também mata!...

Foi então que passei à leitura da interessante estatística de irritações, que não me furto à satisfação de transcrever: Belarmino Bicas – Número de cóleras e mágoas desnecessárias com a especificação das causas respectivas, de 1936 a 1956:

1811 em razão de contrariedades em família;

906 por indispor-se, dentro de casa, em questão de alimentação e higiene;

1614 por altercações com a esposa, em divergência na conduta doméstica e social;

1801 por motivo de desgostos com os filhos, genros e nora;

11 por descontentamento com os netos;

1015 por entrar em choque com chefes de serviço;

1333 por incompatibilidade no trato com os colegas;

1012 em virtude de reclamações a fornecedores e lojistas em casos de pouca monta;

614 por mal-entendidos com vizinhos;

315 por ressentimentos com amigos íntimos;

1089 por melindres ante o descaso de funcionários e empregados de instituições diversas;

615 por aborrecimentos com barbeiros e alfaiates;

777 por desacordos com motoristas e passageiros desconhecidos, em viagem de ônibus, automóveis particulares, bondes e lotações;

419 por desavenças com leiteiros e padeiros;

820 por malquistar-se com garçons em restaurantes e cafés;

211 por ofender-se com dificuldades em serviços de telefones;

90 por motivo de controvérsias em casas de diversões;

815 por abespinhar-se com opiniões alheias em matéria religiosa;

217 por incompreensões com irmãos de fé, no templo espírita;

901 por engano ou inquietação, diante de pessoas imaginárias ou da perspectiva de acontecimentos desagradáveis que nunca sucederam.

Total: 16.386 exasperações inúteis.

Esse, o apanhado das irritações do prestimoso amigo Bicas: 16.386 dissabores dispensáveis em 7.300 dias de existência, e, isso, por quatro lustros mais belos de sua passagem no mundo, porque iluminados pelos clarões do Evangelho Redivivo.

Cumpro-lhe o desejo de tornar conhecida a sua experiência que, a nosso ver, é tão importante quanto as observações que previnem desequilíbrios e enfermidades, embora estejamos certos de que muita gente julgará o balanço de Belarmino por mera invencionice de Espírito loroteiro.

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Re:Espírito: Irmão X
« Resposta #13 Online: Setembro 08, 2013, 19:11:30 pm »
COMUNICAÇÕES

A história parece brejeira, mas o fato é autêntico.

Rafael Provenzano escutava os grandes comentaristas do Evangelho, entre despeitado e infeliz. Atormentado de inveja. Queria também falar às massas, comover a multidão. Nada lhe fulgia tanto aos olhos como a tribuna. E aguardava ansioso, o dia em que pudesse alcançar aquele ponto saliente no espaço, de onde a sua voz conseguisse impressionar centenas de ouvidos. Embora fixado à semelhante ambição, era empregado de singela sapataria. E a sua especialidade era bater pinos em sola.

Bastas vezes, surpreendia-se no trabalho, mentalizando público enorme e ele a falar, a falar sob aplausos.

Talvez por isso fosse ranzinza. Conflito permanente entre a vocação e a profissão. A família e os companheiros pagavam a diferença. A esposa e as quatro filhinhas, em casa, sofriam-lhe a teimosia e o desespero. Irritadiço, classificava-se à conta de tirano doméstico. Apurava com esmero o hábito de chacoalhar e ferir. A tensão não se limitava ao círculo mais íntimo. A parentela toda aguentava espancamentos morais. Entre amigos era temido na condição de crítico impertinente. Apesar de tudo isso, a paixão de Rafael era pregar solenemente a verdade cristã nos templos espíritas.

Certa noite, quando falava Martinho, o orientador espiritual da reunião mediúnica de que era participante, Rafael consultou o comunicante a respeito de seus velhos propósitos.

Sim, meu filho – comentou o benfeitor, através do médium -, você poderá ensinar, mais tarde, das tribunas. Agora, porém, é cedo. Convém estudar, preparar-se, aprender a servir...

E prosseguiu explicando que a banca de solador era também lugar santo. Podia demonstrar fé e abnegação pelo exemplo, edificar, inspirar, auxiliar...

Ouviu paciente, mas saiu desapontado.

Decorridas algumas semanas, o grupo se aprestava à reunião, em sala adequada. Conversa amena. Uma hora faltando para o início das orações.

Rafael chega alegre. Participa que deseja expor ao estimado Martinho o estudo de um belo sonho e contou aos circunstantes que, na noite anterior, se vira espiritualmente, fora do corpo físico. Sentira-se volitando, leve qual pluma ao vento. E contemplara aos céus um cartaz com seis letras “A.D.P.S.B.P.”, em projeção radiante. Tomara nota de tudo ao despertar.

Dona Emília, que supunha nos sonhos um constante veículo para grandes ensinamentos, inquiriu dele, quanto à conclusão a que chegara.

Pois a senhora não compreende?

Rafael explanou para o auditório interessado:

Segundo a minha intuição, as letras querem dizer: “agora deves pregar sem bater pinos”.

E acentuou que, apesar de algum sacrifício para a família, se dispunha a tentar outro emprego. Precisava de tempo livre. Se isso redundasse em privações e provações, afirmava-se pronto para o que desse e viesse. Por fim, declarou-se cansado de bater couro de boi para calçados. Aspirava a posição diferente.

No horário justo, a pequena assembleia se entregou às tarefas que, naquela noite, se vinculavam à desobsessão.

Atividades preparatórias. Preces. E começou movimentado socorro às entidades enfermas. Martinho ocupava o médium esclarecedor, que, de quando em quando, orientava os serviços, dava ideias.

Rafael pediu vez para conversar. O instrutor, contudo, recomendou-lhe esperasse. Necessário desincumbir-se de obrigações mais urgentes. Entender-se-iam no fim. Com efeito, ao término das atividades, Martinho convidou-o à palavra.

Algo tímido. Provenzano narrou o sonho, referiu-se às letras luminosas que descobrira no firmamento, como que brilhando especialmente para ele, e reasseverou os antigos desejos. Queria ser grande conferencista e prometia consagrar-se, de corpo e alma, aos ensinamentos públicos do Evangelho.

O amigo espiritual, sereno, perguntou sobre a interpretação que ele, o interessado, dera às letras.

Rafael repetiu, impávido: “agora deves pregar sem bater pinos”.

O benfeitor espiritual, todavia, pintou expressão de complacência no rosto do médium e observou:

Efetivamente, Rafael, você esteve fora do corpo de carne e viu, de fato, a mensagem do plano espiritual... Mas, engana-se, quanto ao que julga ter lido. As letras querem dizer, simplesmente: “antes de pregar seja bom primeiro”.

Livro: Cartas e Crônicas – Médium: Chico Xavier - Espírito Irmão X.
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Mari34

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Re:Espírito: Irmão X
« Resposta #14 Online: Setembro 13, 2013, 14:12:02 pm »
Meu amigo:
 A maneira dos velhos peregrinos que jornadeiam sem repouso, busco-te os ouvidos pelas
portas do coração.
 Senta-te aqui por um momento.
 Somos poucos junto à árvore seivosa da amizade perfeita.
 Muitos passaram traçando-te o caminho...
 Visitaram-te muitos outros, compelindo-te a dobrar os joelhos perante o Céu...
 Não te imponho um figurino para atitudes exteriores.
 Ofereço-te o lume da experiência.
 Não te aponto normas para a contemplação das estrelas.
 Rogo veja no firmamento a presença divina da Divina Bondade.
 Trago-te apenas as histórias simples e humildes, que ouvi de outros viajares.
 Recebe-as, elas são nossas.
 Guardam o sorriso dos que ensinam no templo do amor e as lágrimas dos que aprendem na
escola do sofrimento.
 Assemelham-se a flores pobres entretecidas de júbilo e pranto, dor e benção, que deponho
em tua alma para a viagem do mundo.
 Acolhe-as com tolerância e benevolência! Dir-te-ão todas elas que, além da morte, floresce
a vida, tanto quanto da noite ressurge o esplendor solar, e que se há flagelação e desespero,
ante o infortúnio dos homens, fulgem, sempre puras e renovadas, a esperança e a alegria,
ante a glória de Deus. 
Chico Xavier - Irmão X